Em Tempo…

Abril 30, 2007

Hoje eu quero andar, se eu me sentir bem, até posso correr…
Mas eu sinto muito, eu ainda não posso voar…
Não que eu tenha medo da altura, ou da queda, caso minhas asas venham a falhar, não que eu não tenha lugar seguro para pousar, ou um norte para me guiar…
O problema é que hoje eu estou cansado… Cansado demais…

ReVoLta…

Abril 27, 2007

vermelho21.jpg
 

A revolta incendiou minha alma,
Meus olhos se avermelharam,
Os pelos do meu braço se puseram de pé como lanças.
A Revolta e indignação de mãos dadas,
Fez meu coração acalmado, bater no compasso dos tambores de guerra.
Fez minhas pernas dobradas pelo cansaço, arderem como o fogo dos novos tempos.
Os ombros enrijeceram.
Os punhos cerraram.
A boca secou.
Do som se fez eco.
E por segundos intermináveis o tempo parou.
Olhei para o céu,pois no fim veio uma brisa, e eu pude respirar.

img99018_gflemos2.jpg     img99019_gflemos21.jpg              

1 – Três não são Quatro. E um faz falta.
2 – Histórias trágicas, todos temos uma meia dúzia para serem contadas. E se no fim da história, se puder-mos rir delas, melhor ainda.
3 – O mundo não é tão grande.
4 – Quando você vai viajar, de certa forma os seus amigos viajam também, eles sem sair do lugar, viajam na imaginação das suas histórias.
5 – Sempre bebemos além da conta.
6 – Sempre gastamos além da conta.
7 – Conseqüentemente todos temos algum tipo de divida.
8 – Somos salvos pelo cartão de crédito.
9 – Então, beberemos mais.
10 – Mulheres inteligentes, são bem vindas. 
       Mulheres bonitas também.
       Mulheres inteligentes e bonitas, bom, estas são uma necessidade.

Um pequeno espaço.

Abril 24, 2007

Eu fico imaginando o real tamanho de uma vitória, e conseqüentemente de uma derrota, de um acerto ou de um erro.

O que mede este espaço entre um e outro.

Onde começa um, onde começa o outro.

Sei que ambos podem terminar de formas parecidas, nem sempre vitórias trazem sorrisos e derrotas lágrimas, as coisas se invertem e assim o mundo caminha, indiferente à métrica e ao sentido. E nós continuamos tentando ter o controle das nossas ações, fazemos de tudo para termos a segurança de uma ação definida, sem titubear e acertar no alvo a decisão tomada.

A partir daí tudo é conseqüência.
Nestes dias eu pude ver o poder da vitória por diversas vezes.

Vitória pelo primeiro filho.

Vitória por se construir um novo lar, vitória por ter amigos juntos e de poder realizar alguns sonhos.

Vitória por ter ao seu lado uma linda mulher.

Mas também pude sentir a derrota, derrota não ter seu sonho realizado. De ver um lar desfeito, de ver amigos se distanciando, de não mais reconhecer a linda mulher, de ter sorrisos desfeitos pelo tempo.

Eu pude ver e sentir, pois eu parei um instante e olhei o mundo.

Um pequeno instante.

Então posso pensar que a medida entre vitória e a derrota é a mesma medida de um suspiro.

E que à distância entre o erro e o acerto é da mesma distância do desespero.

EnCruZIlHadAS…

Abril 20, 2007

encruzilhada.jpg

 

Encruzilhadas. Já faz um ano que eu passei a ter a certeza de que NÃO CONTROLO a minha vida, assim mesmo com letras maiúsculas, pelo menos na maioria das vezes, aonde eu tenho que tomar alguma decisão, aonde eu tenho a certeza de que seja ela qual for, esta mudará a minha vida, e nesta hora eu simplesmente me ponho à deriva e eu nem sei se é simplesmente ou automaticamente, se tenho ou não a consciência de que eu estou abaixando as velas, largando o meu timão e sentando para ver aonde a maré vai me levar, e geralmente faço isso no meio de uma daquelas tempestades aonde você é jogado para todos os lados e a minha vida acaba tomando rumos que mesmo que eu tente voltar atrás e tomar a decisão que deveria ter  tomado antes, já não se faz mais necessário, a vida passou, correu por entre meus olhos como um carro de fórmula 1 na reta de chegada.
Outro dia eu vi em um filme, onde um personagem que se tornara cego, pois havia feito uma escolha. A escolha não foi ficar ou não cego, foi uma escolha simples, mas que resultou na sua cegueira e conseqüentemente tornar amarga a sua vida. Este personagem em um momento extrema clareza em sua vida fala sobre as suas encruzilhadas.
Ele disse que sempre soube muito bem quando a vida punha uma encruzilhada na sua vida, e, além disso, sabia exatamente qual dos caminhos na encruzilhada era o certo e qual era o errado, e ele sempre pegou o caminho errado, sempre, pois este era mais fácil de ser percorrido.

Eu ainda me pego procurando sentido nestas palavras, pois eu sei também quando a vida, ou o destino, ou Deus põe na minha frente uma encruzilhada, mas ainda eu tenho dificuldades de saber o melhor e o pior caminho a ser tomado. Geralmente me sento no meio da encruzilhada e espero que a vida, o destino ou Deus me jogue dentro de um caminho, para que lá eu me levante e siga, para onde eu não sei, mas eu sigo…
O ruim é que isso cansa, o medo cansa, a falta de firmeza cansa. Cansa também estar perdido. Mas deve cansar também saber o caminho certo sempre, não poder se sentar diante da encruzilhada e esperar um pouco antes de tomar qualquer decisão, também deve cansar. Enfim a confusão é tanta que se instala até neste texto, não consigo se quer dar um desfecho descente a ele, espero que ele acabe por si só, sem desfecho algum, sobre minhas idéias.

 

Pronto, acabou…

 

 

Assim que chegamos ao Beco do Rato, Eu, o Coordenador, o Presidente e a Chuchu. Uma menina brava dispara ferozmente sua buzina contra o nosso taxista que havia fechado a sua passagem, enquanto nós desembarcávamos do seu táxi.
Já no bar, vejo que a menina da buzina, que tinha uma cara fechada e olheiras profundas estava acompanhada de outra menina e que depois viemos a descobrir ser sobrinha de um superintendente, coincidências da noite. 
O Coordenador aborta as meninas questionando a buzina, e eu com a minha mania de apagar incêndios, logo me aproximo pedindo desculpas pelo nosso taxista distraído.
A Sobrinha do Superintendente era de sorriso fácil, seus olhos se apertavam quando ele acontecia, e o sorriso dela contrastava com as olheiras e a sisudez da sua amiga. Papo inicial, desculpas pedidas e aceitas, começa um formal interrogatório típico de pessoas desconhecidas, onde você mora e o que você faz, coisas deste tipo.
O Presidente se aproxima e dispara.- Este a minha esquerda é o Rodrigo, meu coordenador, e este a minha direita é o Gualter, meu amor…???
E eu em pânico pergunto:
- Como assim Presidente?
E a Sobrinha do Superintendente dando gargalhadas, provavelmente da minha cara, dispara:
- Como assim seu amor?
E o Presidente sem pestanejar revida:
- É que a minha vida é assim, repleta de amores. Tenham uma boa noite e divirtam-se. 
E assim vimos o Presidente sair do bar, puxando a Chuchu pela mão.
E o silêncio na mesa perpetuou por intermináveis trinta segundos… 

Considerações Presidenciais 

1 – Já havíamos bebido uma caixa de cerveja.
2 – O Presidente passou a noite, compondo sambas, daí o vício da rima. Coordenador, amor. Sacou ????
3 – Bom, mas que eu sou um amor… Ahhh isso eu sou mesmo. hehehe

894-486xa1.jpg                                  
 

Eu não sei quanto a vocês, mas as minhas noites de terça –feira sempre tiveram uma queda, para ficarem marcadas na minha memória.
Sempre brigaram feio, com as noites de quinta, mas as de quinta sempre foram mais palpáveis.
As de terça, bom estas saiam na frente pelo fato de serem surpreendentes. Ninguém espera muito de uma noite de terça. 
Desde os primórdios da Terça-Torta no Guapo Loco, passando pela Noite do Torpedo nos Bastidores, as noites de terça estão para a minha boêmia como o Bê-á-bá está para o analfabeto. Eram necessárias.
 Agora pela segunda vez, passo a noite de terça entre o Bar Liberta na esquina da Teófilo Otoni com rua Quitanda, de onde só saio quando o Russo começa a colocar as cadeiras para cima das mesas, ou quando a caixa de cerveja se completa.
E ai o destino da Diretoria do Regula mas Libera é a Lapa, e sobre a Lapa deixo que os boêmios mais competentes do que eu falem sobre ela. 

E nestas noites entre um copo e outro, eu pude ver muita coisa. Vi uma caixa de som se desprender do teto e se espatifar no chão da pista de dança e as pessoas a sua volta, somente viraram o pescoço para ver o que acontecia e logo depois retomar o que fazia antes, os que beijavam voltaram a se beijar, os que dançavam continuaram a dançar, os que sorriam ao nada, ao nada continuaram a sorrir e os que tentavam, continuaram a tentar. 

Em uma outra noite, enquanto equilibrava um lápis num balcão de um bar, ao lado de um copo de  wisk, uma mulher me fez uma aposta. E tanto fazia perder ou ganhar a aposta, em ambas situações eu seria feliz. No fundo ela já havia ganho a aposta com a sua atitude. Nas noites de terça as mulheres cerram os olhos. 

Em outra noite de terça, a terça resolveu mudar a minha vida. Mandou uma mulher tomar de assalto toda a segurança que levei anos e muitos porres para construir. E a partir desta terça tudo ficou diferente. 

Mas nestas últimas noites de terça entre o Liberta e a Lapa, com mais três caras tão sentimentalistas baratos, tão filósofos de botequim quanto eu, regados samba canção, trecho de livros e poesias inesquecíveis, cenas de filmes que praticamente lhe mostram como encarar o caminho, uma pitada de rock and roll e vamos de A a Z pela pele de uma morena, de cabo a rabo no brilho dos loiros cabelos da menina de olhos azuis que não tem medo das suas sardas, e sem nenhuma modéstia pega-se uma caneta, uma folha de papel e se escreve um pequeno pedaço de uma vida qualquer.
E como uma vida qualquer, lhe cabem, sonhos, sorrisos, lágrimas, dores e apelos, erros e acertos, amores e desamores, aventuras e a insensatez.
Uma vida simples, que tem seu fim na manhã de quarta. 

Gualter Lemos:.

 

(Agradecimentos: Thiago, Rolin, Eduardo, Rodrigo e Douglas… Companheiros das noites de terça)

 

Eu disse a mim mesmo que um dia eu conseguisse escrever um livro, eu daria o nome de “Abril que não se acaba”.
Hoje é Abril.
E quanta coisa aconteceu neste tempo enorme.
Eu sei que errei muito neste tempo enorme.
Mas eu pude também acertar um pouco.
E neste tempo enorme, eu pensei em você,
Neste tempo enorme, perdi um padrinho,
Tive medo do câncer em uma avó,
E tive medo da idade da outra que avança incontestavelmente.
Vi minha irmã se formar.
Tentei me aproximar do meu pai,
Vi lágrimas e mais lágrimas da minha mãe,
Chorei também.
Transformei-me, e me transformei de novo,
Casei,
Protegi,
Cuidei,
Fiquei só,
Vi a dor alheia,
Vi a pele, vi o osso,
Senti-me pequeno,
Separei.
Quase vi morrer pensando que salvava, salvei pensando que matava.
Mergulhei na noite,
Abriram-me os braços,
Fecharam-me as caras,
Julgaram-me,
Condenaram-me,
Condenei-me também,
Entorpeci-me mil vezes.
Fracassei.
Tive o excesso, tive a escassez.
Chorei de novo,
Fracassei de novo,
A insônia virou companhia e o sono remédio para o tempo.
Li livros novos,
Li novamente livros antigos, só que eles ficaram diferentes.
Fiquei doente, mas depois fiquei bom.
Tomei inúmeros porres,
E vi mil sorrisos,
Por pouco não me afoguei no mar.
Trai. Fui traído,
Sub-julguei e fui sub-julgado.
Meus olhos ainda não pararam de coçar, Um deles foi operado, assim como meu pé direito. Perdi um pênalti com ele na final do campeonato, mas ri disto, pois a vida já é dura o bastante.
Tive dinheiro, hoje não tenho quase nenhum.
Estive sob a mira de uma arma, foram só por dez minutos, mas que pareceram dez horas.
Emocionei-me com coisas bobas e ainda me emociono com elas, e para isso não há remédio, eu espero.
Fiz novos amigos, perdi velhos amigos. Briguei com eles e eles brigaram comigo.
Mas não briguei com Deus.
Fiz promessas,
Mas não consegui cumpri-las.
Por um milhão de vezes pensei em largar o trabalho, assim como por um milhão de vezes estive aposto para comprar uma passagem de avião.
Fui covarde.
Mas no fundo também tive coragem.
Assumi e assumo todos meus erros e pago por cada um deles.
E quis sumir.
Senti saudades, por muitas vezes ainda sinto saudades.
Lembrei de coisas pequeninas, e esqueci-me de coisas importantes.
Fui xingado. xinguei o mundo,
E gritei no escuro,
Porque meu coração ainda dói demais.
Apareci novamente e me escondi do mundo.
Me assustei
Tive medo, ainda o tenho,
Perdi identidade.
Aprendi a tocar tamborim,
Tenho um bloco de carnaval e na hora da folia, fugi do carnaval.
Hoje posso ouvir musica eletrônica,
Mas não mudei de time, sou Flamengo até morrer. E o Obina é melhor que o Et’o, mas eu ainda prefiro o Zico.
Conheci Modiglianni,
Gostei mais do Vinicius e do Cartola,
Mas ainda me impressiona o Renato Russo. Íris do Goo Goo Dolls ainda me deixa perdido no tempo,
Nunca mais ouvi Nina Simone no café da manhã…
Aprendi coisas do céu e do inferno,
E sei onde fica cada um destes lugares.
Olhei para dentro,
Olhei para o lado,
E continuei olhando para traz.
Não tenho métrica,
Nem rima.
Estou velho e pesado.
Ainda tenho uma única tatuagem.
Nunca odiei ninguém.
E quanto ao amor,
Este brota, simplesmente brota entre as minhas palavras mal escritas.
E neste tempo imenso ainda tenho sonhos,
Sonho que um dia eu possa te olhar sem pressa,
E que eu possa caminhar ao teu lado em silêncio… 
Gualter Lemos:.

DeTOnT3RiA:.

Abril 11, 2007

Detonteria acaba de ser criado para tentar dar vazão a idéias e pensamentos. Palavra inventada para coisa inventada, mas vem de tonteira e vertigem, pois a assim a vida me deixa com vertigem, tonto, por bem ou por mal, por susto ou apreensão. Por amor, por medo, enfim, espero que DETONTERIA cumpra o seu papel.