Pedaços de Amor. Eva Luna – Isabel Allende
Maio 30, 2007
“ O casamento de Zulema e Riad Halabí foi feito segundo todos os ritos, porque o noivo pôde paga-los. Naquela aldeia pobre, onde já quase tinham esquecido as verdadeiras festas, aquela constituiu um fato memorável. O único sinal de mau agouro talvez tenha sido Khamsin do deserto, que começou a soprar no inicio da semana, com a areia introduzindo-se por todas as partes, invadindo as casas, rasgando as roupas, fedendo a pele. Chegado o dia do casamento, os noivos tinham areia entre as sobrancelhas. Esse detalhe, contudo, não impediu a comemoração. No primeiro dia da cerimônia, as amigas e mulheres das duas famílias reuniram-se para examinar o enxoval da noiva, as flores de laranjeiras e as fitas rosadas, enquanto comia sapotis, chifres de gazela, amêndoas e pistaches, ululando de alegria com um iuiu sustido, No dia seguinte, levaram Zulema em procissão ao banho público, presidida por um velho tocando tamboril, a fim de que os homens desviassem a vista ante da passagem da noiva, coberta com os sete véus leves. Quando lhe tiraram a roupa no banho, para as parentas de Riad Halabí verem que ela estava bem alimentada e não tinha marcas, sua mâe rompeu em pranto, conforme a tradição. Puseram-lhe henna nas mãos, depilaram todo o seu corpo com cera e enxofre, fizeram-lhe massagens com creme, traçaram-lhe os cabelos com pérolas de bijuteria, cantaram, dançaram e comeram doces com chá de hortelã, não ficando esquecida a moeda de ouro, com que a noiva presenteou cada amiga. No terceiro dia houve a cerimônia do Neftah. A avó tocou-lhe a fonte com uma chave, a fim de abrir-lhe o espírito à franqueza e ao afeto. Em seguida, a mãe de Zulema e o pai de Riad Halabí calçaram-lhe sapatilhas untadas com mel, para que ela entrasse no casamento pelo caminho da doçura. No quarto dia, vestida com uma túnica singela, Zulema recebeu os sogros, para oferecer-lhe pratos preparados por suas mãos, baixando os olhos recatadamente quando disseram que a carne estava dura e faltava sal ao cuscuz, mas que a noiva era bonita. No quinto dia, provaram a seriedade de Zulema, expondo-a á presença de três trovadores que cantavam canções atrevidas, porém ela se manteve indiferente atrás do véu, e cada obscenidade que ricochetava em seu rosto de virgem foi premiada com moedas. Em outra sala celebrava-se a festa dos homens, com Riad Halabí suportando pilhérias de toda a vizinhança. No sexto dia, casaram-se na prefeitura e, no sétimo, receberam o cádi. Os convidados colocaram seus presentes aos pés dos esposos, gritando o preço que tinham pago por eles, o pai e a mãe tomaram a sós com Zulema o último caldo de galinha, e depois a entregaram ao marido de muita má vontade, tal como dever ser feito. As mulheres da família Conduziram-na ao quarto preparando a ocasião e trocaram-lhe o vestido por sua camisola de desposada, indo em seguida reunir-se aos homens na rua, á espera que sacudissem pela janela o lençol ensangüentado com sua pureza.
Por fim, Riad Halabí encontrou-se a sós com sua esposa. Nunca se tinham visto de perto nem haviam trocado palavras ou sorrisos. O costume exigia que ela estivesse assustada e trêmula, mas ele é que se sentia assim. Enquanto pôde manter-se a distância prudente, sem abrir a boca, seu defeito ficava menos evidente, porém ele ignorava como isso afetaria a sua mulher, quando na intimidade. Perturbado ele se aproximou dela e estendeu os dedos para toca-la atraído pelo reflexo nacarado daquela pele , pela abundância de carne e as sombras do cabelo, mas então viu o asco nos olhos de Zulema, e o gesto ficou congelado no ar. Tirando o seu lenço, ele o levou ao rosto, mantendo-o ali com uma das mãos, enquanto com a outra a despia e acariciava. Toda a sua paciência e ternura, no entanto, foram insuficientes para vencer a rejeição de Zulema. Foi um encontro triste para ambos. Mais tarde, enquanto sua sogra agitava o lençol no balcão pintado de celeste, para afugentar os maus espíritos, e abaixo os vizinhos disparam salvas de fuzil e as mulheres ululavam com frenesi, Riad Halabí escondeu-se em um, canto. Sentia a humilhação como um soco no ventre. Essa dor ficou com ele, como um gemido em surdina, e nunca falou disso, até o dia e, que pode contar à primeira pessoa que o beijou na boca. Havia sido educado a regra do silêncio: o homem é proibido demonstrar seus sentimentos ou desejos secretos”.
Texto tirado do Romance Eva Luna da escritora Isabel Allende, publicado no Brasil pela editora Bertrand Brasil.
Deliberações das Noites de Terça – Sem o Coordenador.
Maio 23, 2007
1 – Éramos dois,
2 – Fomos três,
3 – Terminamos quatro, mas não os originais.
4 – Ela veio no lugar dele, e como sempre, elas mudam tudo.
5 – Por mais relacionamentos que se tenha tido, não adianta divagar, não podemos saber como será o próximo.
6 – Somos todos diferentes. E isso é bom.
7 – Todos buscam aquilo que lhe completa.
8 – Quanto a busca, bom a busca, também é diferente para cada um de nós.
9 – Nem todos vão lhe compreender, e isso não é o fim do mundo.
10 – Saiba lidar com a incompreensão alheia, e com certeza os passos serão mais firmes.
ClArIdADe…
Maio 21, 2007
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Às vezes a luz vem,
com tamanha intensidade.
Como um flash…
Cega…
E não há nada que possa ser feito quanto a isto…
Sente-se, e sinta…
Aguarde, seus olhos vão se acostumar.
Tenha Fé,
Eles vão se acostumar.
A respiração vai se abrandar,
O pulso, regular,
O coração, acalmar.
Tenha Fé,
Eles vão se acostumar…
Tenha ao alcance da mão,
Um sonho.
Novo…
Pode usar ele agora,
Tenha calma, o sonho vai caber em ti…
E o tempo ?
Não ligue para ele,
Você não vai precisar do relógio,
Não agora.
Você tem a intensidade da Luz…
Saboreie…
Reconheça…
Espere a claridade passar por ti…
Sinta o calor,
Ela vai levar o tempo escuro…
É só a claridade,
Não importa mais as sobras nem as sombras…
Seus sentidos estão,
Apurados,
Aguçados,
Esperançados.
Admire-os.
Sente-se, Espere, Sinta,
É só a intensa claridade, do branco dos meus olhos…
Deliberações das noites de terça – OUTONO…
Maio 16, 2007
1 – Quatro é original.
2 – Quatro com seis, melhor ainda.
3 – A poesia se cala , quando elas falam de amor e nós também.
4 – Mas os olhos delas brilham diante das nossas palavras.
5 – O mundo continua pequeno.
6 – Nem todo mundo conhece Paris, mas, “Há um lugar para ser feliz, além de abril em Paris. Outono no Rio…”
7 – Chego então a conclusão que por mais feliz que estejam, nem tudo pode ser dito, ainda, e que tudo tem seu tempo.
8 – A ansiedade às vezes é bem vinda, faz o sangue correr mais rápido, mas acaba com as unhas.
9 – Continuamos a beber além da conta. Mas sempre por um bom, pequeno, motivo.
10 – Amigo, boa viagem, lembre-se que sua única obrigação é a de trazer boas histórias para contar e a gente te espera numa terça qualquer, no INVERNO…
SuSPeNsO…
Maio 14, 2007
Sumiram-me as palavras,
Findaram-se os gestos,
Não há mais nada,
Tudo se encontra suspenso no ar,
E não há como alcançar…
O chão hoje é mais seguro,
Não há mais onde tropeçar.
Não há mais a necessidade de desvios.
Hoje o sorriso surgiu sem devaneios,
Perdeu-se a capacidade de inventar.
E assim, cansado de pensar,
Faço sonho, solução…
O retorno do batom (Um presente de uma amiga…)
Maio 11, 2007
O Retorno do Batom
Sem querer ser poetisa
Me utilizo da sua linguagem
Para além do seu corpo
Falar da sua língua
A atraência é algo latente
Sem saber-se, natural
Ainda que o obscurantismo de outros seres
Invada a guarda e mantenham a chave
Aquecer a alma
É tarefa de poucos
Vai além de habilidades… Sutileza!
Assim, lhe entrego um prêmio
Pelo retorno do batom
A minha bolsa e cotidiano
Aos Meus… Rodrigo Mendes.
Maio 9, 2007

E para inaugurar Aos Meus, segue o post para um novo amigo Rodrigo Mendes, que vive a declarar que vai embora para Pasárgada. Pode ser que um dia, faremos as malas e partiremos numa noite de uma terça qualquer para boêmia de uma Pasárgada, beber um pouco e divagar sobras as coisas da vida.
Ai esta de Manuel Bandeira, Vou-me embora para Pasárgada.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro “Bandeira a Vida Inteira“, Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90
Aos Meus.
Maio 9, 2007
Eu estive pensando, em como presentear alguns amigos em seu aniversário.
Como não cair na mesmice, e presentear com coisas que não tenho idéia, e depois me preocupar se vou agrada-los ou não.
Então resolvi criar isto, um post em cada aniversário, com algo que eu sei que possa agradar.
Por que dos meus eu vejo a essência e é dela que irei tirar as palavras.
Eu tenho a certeza de que não vai acontecer sempre e que eu falharei, mas no fundo são palavras que eu tentarei por no DeTOnT3RiA que faça valer a pena.
Então Aos Meus… Acabo de criar o post Aos Meus…
Sunscreen… (Um beijo a Carol)
Maio 8, 2007
A Carol, me encaminhou o vídeo Sunscreen pelo email esta semana, e embora seja um vídeo antigo, que eu considerei primordial a minha condição humana ao vê-lo pela primeira vez, ao revê-lo eu pude perceber que pode passar o tempo que for, que o tempo não irá alterar algumas coisas, pois existem verdades que são imutáveis, e algumas delas são ditas de forma humana e pura neste vídeo.
Eu me emociono novamente, neste período conturbado de minha vida, que insiste em se demorar, como uma visita inoportuna, que sempre espera mais um cafezinho. E o fato de emocionar-me com uma coisa tão simples, próxima de se tornar um clichê, mostra-me que tudo tem seu tempo, e hoje é tempo de provar…
Provem o texto abaixo e os links para os vídeos… E prove para você mesmo que precisa valer a pena. Até um clichê, precisa valer a pena.
Sunscreen.
Nunca deixem de usar filtro solar
Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro,seria esta:
use filtro solar.
Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e
comprovados pela ciência;
já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha
própria experiência errante.
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece… Você nunca vai entender mesmo o poder
e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
Mas, pode crer, daqui a vinte anos,
você vai evocar as suas fotos e perceber de um jeito
que você nem desconfia hoje em dia quantas
tantas alternativas se lhe escancaravam à sua frente,
e como você realmente tava com tudo em cima.
Você não é tão gordo(a) quanto pensa!
Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação
é tão eficaz quanto mascar chiclete
para tentar resolver uma equação de álgebra.
As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que
nunca passaram pela sua cabeça preocupada,
e te pegam no ponto fraco as quatro da tarde
de uma terça-feira modorrenta.
Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,
aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço
ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta,
talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
Faça o que fizer, não se auto-congratule demais,
nem seja severo demais com você.
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo.
É assim pra todo mundo.
Desfrute de seu corpo.
Use-o de toda maneira que puder. Mesmo.
Não tenha medo de seu corpo
ou do que as outras pessoas possam achar dele.
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio.
Dedique-se a conhecer os seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado
e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem,
mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas
e de estilos de vida,
porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar
das pessoas que conheceu quando jovem.
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis:
Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear.
Você, também, vai envelhecer.
E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem,
os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças,
respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos.
E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
Talvez case com um bom partido.
Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar.
Não mexa demais nos cabelos
senão quando você chegar aos quarenta vai aparentar oitenta e cinco.
Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo,
esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.
Mas no filtro solar, acredite!
Sunscreen – Com Pedro Bial.http://www.youtube.com/watch?v=GI4oxOljwsc&mode=related&search= Sunscreen – Original. http://www.youtube.com/watch?v=tNBnfGbqOho
Por motivos de força maior…
Maio 3, 2007
Dias e dias sem escrever… Dias tumultuados demais… Logo estarei escrevendo novamente…