ABStINênCia…
Setembro 24, 2007
Traga-me à noite,
E junto dela seus perfumes, delírios e virtudes.
Traga para perto dos meus ouvidos o som dos brindes.
Sim… Não esqueça o sorriso das mulheres,
E o brilho dos seus lábios.
Traga o wisk, o gelo e o ar,
Junto com o suspiro de quem volta pra casa…
Traga-me a lua, para os poetas, encantar.
Só não esqueça de trazer um cão fiel,
Pois no descansar da lua,
Eu estarei só…
EsPAço…
Setembro 24, 2007
Não falaremos do amor acabado,
Falemos da nova paixão que não se percebe.
Não saberemos do futuro,
Já sabemos do passado que insiste em perambular, pelas fileiras do presente.
Não, não veremos as rosas,
Nem os campos onde elas florescem.
Vamos ver as pétalas caídas no chão da sala vazia…
A sala vazia; Na casa vazia; Do coração vazio…
Aos Meus… Eduardo Simões…
Setembro 20, 2007

Quando a loira entrou no bar, nós que já estávamos de saída, tivemos vontade de ficar.
O tal bar não estava acostumado a tal beleza,
E tal beleza não estava acostumada a tal bar…
Bem vestida, salto alto,
Parou em frente a uma mesa, abriu os braços e sorriu.
O Russo, nosso garçom, levantou os olhos, largou no balcão uma garrafa de cerveja e o abridor e acelerou o passo em direção a moça.
E do nada um abraço surgiu…
O tempo parou, o bar se fez em silêncio, nem os titilares dos copos se ouvia…
A cena era:
A loira e o garçom abraçados no meio do bar,
Nós continuávamos estáticos, olhos arregalados, respiração suspensa,
E a trilha sonora da cena? Bom a trilha sonora era uma exclamação:
“ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉGUAAAA RRRUUUUUUUSSSSSOOO !!! “
Neste outro post “Aos Meus”, como de costume com atraso, segue uma das muitas cenas que este cara hilário, não nos cansa de brindar. Além de cenas hilárias em uma das terças insanas Eduardo surge com este belo poema de W. H. Auden, e nos brinda, desta vez com poesia…
Funeral Blues.
Parem os relógios
Cortem o telefone
Impeçam o cão de latir
Silenciem os pianos e com um toque de tambor tragam o caixão
Venham os pranteadores
Voem em círculos os aviões escrevendo no céu a mensagem:“Ela está morta!”
Ponham laços nos pescoços brancos das pombas
Usem os policiais luvas pretas de algodão
Ela era meu norte, meu sul, meu leste e oeste.
Minha semana de trabalho e meu domingo
Meu meio-dia, minha meia-noite.
Minha conversa, minha canção.
Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me.
As estrelas são indesejadas agora.
Dispensem todas.
Embrulhem a lua e desmantelem o sol
Despejem o oceano e varram o bosque
Pois nada mais agora pode me servir…
De hOJe Em dIANte:.
Setembro 17, 2007
Com o peito apertado, ele abre os olhos. Porém não há coragem para levantar-se da cama.
Sem saber como chegou até aquele ponto, sente que o tempo correu veloz demais e a certeza de não ter conseguido acompanha-lo veio ao passar a mão pelo o rosto e se impressionar com as marcas que o tempo desenhou, confuso pensa que as marcas não estavam em seu rosto ontem, será que a embriaguez não permitiu enxerga-las. A embriaguez o fez cego para muitas coisas, mas o fez enxergar tantas outras, e a compensação não cabe neste momento.
Também não enxerga o espaço entre o céu e o chão que tem de pisar, tudo parece mínimo, apertado.
As lágrimas estão represadas,
O coração descompassado,
A respiração silenciosa.
As mãos estão juntas, dedos entrelaçados tentando achar a segurança que o resto do corpo não lhe passa.
Saber que se faz necessário ficar de pé , não é o suficiente para mover suas pernas.
O suspiro não lhe trás forças para mover seu coração, pelo menos em seu quarto o tempo está parado. Ali ele é o senhor das horas, não há tempo determinado para se alimentar, nem para acordar, para as tarefas cotidianas não há um minuto se quer. O tempo não tem espaço naquela caixa vazia, talvez ali tudo seja vácuo, tudo esteja suspenso, o chão não se faz mais seguro, o ar não se faz revigorante, o céu não é azul, é creme, com marcas escuras, as paredes não se pode escalar e saltar para fora delas, são enormes, vão além da visão.
Ele entende que esta é a prisão mais cruel, e nem nos tempos da ditadura o aço das grades era tão frio, o exílio seria um paraíso agora.
Não resta dúvida que tudo saiu do controle, que a mesmice dos atos contínuos e encantadores, misturou-se à leviandade, e ao tentar fugir da insanidade dos dias e ao tentar a letra perfeita, simplesmente enlouqueceu…