Aos Meus… Eduardo Simões…
Setembro 20, 2007

Quando a loira entrou no bar, nós que já estávamos de saída, tivemos vontade de ficar.
O tal bar não estava acostumado a tal beleza,
E tal beleza não estava acostumada a tal bar…
Bem vestida, salto alto,
Parou em frente a uma mesa, abriu os braços e sorriu.
O Russo, nosso garçom, levantou os olhos, largou no balcão uma garrafa de cerveja e o abridor e acelerou o passo em direção a moça.
E do nada um abraço surgiu…
O tempo parou, o bar se fez em silêncio, nem os titilares dos copos se ouvia…
A cena era:
A loira e o garçom abraçados no meio do bar,
Nós continuávamos estáticos, olhos arregalados, respiração suspensa,
E a trilha sonora da cena? Bom a trilha sonora era uma exclamação:
“ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉGUAAAA RRRUUUUUUUSSSSSOOO !!! “
Neste outro post “Aos Meus”, como de costume com atraso, segue uma das muitas cenas que este cara hilário, não nos cansa de brindar. Além de cenas hilárias em uma das terças insanas Eduardo surge com este belo poema de W. H. Auden, e nos brinda, desta vez com poesia…
Funeral Blues.
Parem os relógios
Cortem o telefone
Impeçam o cão de latir
Silenciem os pianos e com um toque de tambor tragam o caixão
Venham os pranteadores
Voem em círculos os aviões escrevendo no céu a mensagem:“Ela está morta!”
Ponham laços nos pescoços brancos das pombas
Usem os policiais luvas pretas de algodão
Ela era meu norte, meu sul, meu leste e oeste.
Minha semana de trabalho e meu domingo
Meu meio-dia, minha meia-noite.
Minha conversa, minha canção.
Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me.
As estrelas são indesejadas agora.
Dispensem todas.
Embrulhem a lua e desmantelem o sol
Despejem o oceano e varram o bosque
Pois nada mais agora pode me servir…