Maio 21, 2009

Não ter as letras nas mãos, me faz seco, cego.
Não ter andamento nas linhas mal escritas e tortas, me faz sem rumo, sem norte.
Que necessidade é esta que não se sacia em um momento definido.
Onde fica o paraíso, para esta angustia?
Letras mudas que não se completam em frases surdas.
O que me faz pensar que basta fechar os olhos para que estas surjam uma a uma neste céu branco, como pára-quedistas rasgando o firmamento em cores vibrantes.
Que loucura é esta que me persegue, que me faz achar que rimas cicatrizariam feridas profundas, feridas criadas pela falta de tinta em minhas veias.
E este suor, áspero e gelado, que insiste em encharcar meu espírito,
Meu espírito que se revolta contra a mesmice e a pequinês dos atos contínuos e premeditados, que embrulha meu estomago e me corta ao meio o suspiro.
Letras, palavras e frases que insistem em me fazer caminhar pelo escuro da sua falta, caminhar sem a transparência do meu fino sorriso.
O mesmo sorriso que falsamente dou a piada repetida e que forçadamente foi contada em roda de amigos velhos que às vezes não enxergam que já não há mais nada a ser dito, e insistem em não crer no silêncio como a fuga esperada.
Sou isto e quase nada, sem as letras amarradas a mim, com fios de esperança feitos de nuvens brancas e areia fina.
Sou isto e quase nada, sem a rima fantasiada, sem frase bem acabada, tatuadas em minha pele, com a tinta amarela dos girassóis.
Sou isto e quase nada sem a poesia amaldiçoada, sem a crônica escarrada, sem o romance esquecido, sem o conto, onde conto coisas da vida.
Sou isto, e quase nada sou, sem o êxtase do fim…