A TrÉgua, O CluBE do fIlmE, A VidA SeCrEta dos ApAixonADOs e O TelEsCóPIo de SchOPEnHAuer…
Outubro 14, 2009
Nestes últimos meses andei lendo as histórias de um senhor uruguaio chamado Mario Benedetti, que em forma de diário me contava sobre um amor que de certa forma nem eu e nem ele sabemos como começou, e nem por que. Mas quem sabe?
Este amor que se pensava vir em um tempo errado, veio no certo, e de certo me entristeceu, mas amor é assim mesmo, tanto alegra quanto entristece. E este senhor me ensinou a entender como se escreve sobre uma mulher, mas sobre isso falo outro dia. E já nem eu nem ele sabemos como chegamos nas mãos um do outro, mas agradeço, como um aluno.
E triste está outro senhor Canadense chamado David Gilmor que anda preocupado com fato de ter apoiado seu filho a abandonar a escola, e em troca o filho teria de passar a assistir com ele três filmes por semana. Eu ainda não sei se isso vai ter o resultado que ele espera, eu sou lento em minhas leituras, eu as prefiro assim, mas o que importa é que o pai pensa que seu filho pode vir a ser um fracassado, mas um fracassado que sabe tudo de cinema. O que o Sr. Gilmor não sabe que se antes de conhecê-lo eu já gostava do cinema, hoje eu gosto mais. Falta bem pouco para o fim desta história que também é de amor (sempre ele), me mostre o poder de um pai na vida de um filho.
Logo depois terei pela frente as histórias de um inglês e um de irlandês, escolhidos ao acaso, pois para ler um me disseram que eu precisava abandonar a minha família e amigos; largar meu trabalho e meus compromissos; deixar meu jantar queimar no forno e me afundar na letra, pois a vida tem gosto de plástico ao lado das palavras de Simon Van Boot. Para ler o outro me foi dito que nenhuma descrição deste poderia fazer-lhe justiça, pois irá me oferecer uma perspectiva poderosa e humilde da nossa vida do jeito que ela é, e este se chama Gerad Donavan. Um virá com contos outro com romance, um que fala sobre o amor (olha ele ai de novo) e o outro sobre as pessoas, sobre as conversas entre dois homens, sobre uma vila européia em plena guerra civil, sobre a neve, sobre conflitos, reações humanas e morte eminente. (será que tem amor?)
Para que escrevo isso?
Escrevo porque serão estes dois as minhas companhias enquanto tomo café pela manhã, no ônibus antes de dormir (na maioria das vezes eu durmo nos ônibus), em pé no metrô, são eles que farão peso na mochila que eu levo nas costas, vão se molhar com a chuva, se amassar com a rapidez da vida, são eles que irão guardar com carinho a foto dela, foto que me ajuda a achar o fio do pensamento, são estes dois senhores que irão palpitar o rumo destas letras, por enquanto…
O VelHo e O MOçO:. ( Los Hermanos )
Setembro 9, 2009
Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto
Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado
E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?
Ahh, tanto faz
E o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu quem será?
Deixo tudo assim, não me acanho em ver
vaidade em mim
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.
Sei do escândalo e eles têm razão
Quando vem dizer que eu não sei medir
nem tempo e nem medo
E se eu for o primeiro?
A prever e poder desistir
do que for dar errado
Ahhh
olha, se não sou eu
quem mais vai decidir
o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão
Ahhh, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo do meu coração
Quando falo comigo, quando eu sei ouvir.
FIneTuDE:.
Setembro 2, 2009
Ando fino, como se a minha pele fosse uma folha de um transparente, delicado e velho papel. Amarelado e seco, com marcas definidas pelo tempo, rabiscado com as cores de um lápis apontado a faca. Com amassados que se fazem notar em meus movimentos, marcas ruidosas, estridentes, como dobradiças de uma velha porta, feita com as sobras de madeira de embarcação. Aquelas acostumadas às lamúrias dos pássaros, a revolta do mar e a força dos ventos. Mas que depois do desgaste foi abandonada na areia da praia, sem serventia.
Ando fino, como meus finos cabelos, que insistem em se por na frente dos meus olhos, mascarando a realidade com seu amarelo de amanhecer, fino como meus lábios que não se cansam de provar do gosto da vida, que muda de esquina em esquina, e mesmo nas esquinas mais costumeiras o gosto nunca é igual.
Ando fino, fino, como meus suspiros, que se fazem assim para não pegar de supetão o coração, e não deixar que ele pense que insanidade voltou, junto com sua rebelde alegria, e o sorriso da noite. São finos meus suspiros, assim eles trazem a paz, e o coração em seu trono, sorri, por um reino de fácil zelo.
Ando fino, pois fina, é as solas dos meus pés, que já pisaram muito e às vezes se cansam da caminhada.
Ando fino, como a minha sombra fina e quase clara, que se esgueira entre meus gestos e de movimentos finos a minha sombra se alonga à medida que o tempo avança, ela não faz questão de olhar para trás, se alonga adiante dos meus pés e faz questão de chegar antes de mim, onde quer que eu vá.
Estou fino, de sorriso fino, pois ainda sei da alegria das coisas, mas as coisas que antes meu sorriso tocou, hoje são largas demais, e por isso meu fino sorriso, não mais se encanta.
Hoje sou fino, como o fino limiar ente a vida e o fim.
O FaTO:.
Agosto 21, 2009
Fato, no dicionário está escrito assim:
fato1
[Do lat. factu.]
Substantivo masculino.
1.Coisa ou ação feita; sucesso, caso, acontecimento, feito.
2.Aquilo que realmente existe, que é real.
3.Filos. V. fenômeno (8).
Então vejamos se de fato os fatos que estão por vir não se tornaram fato por conta do espaço que existe entre o imaginário e o real.
Vamos aos fatos. Hoje fui almoçar sozinho e fui almoçar onde há muito tempo não ia, por isso caminhei bastante nesta sexta-feira chuvosa, friorenta e que ventava muito, já almocei pensando no café de depois, pois estava ao lado de um bom lugar para se tomar um bom café. Almoçar sozinho para mim já é uma tarefa não muito prazerosa, sempre deixa a minha mente Kafkiana demais, e em uma sexta com frio e chuva, mais ainda.
Uma senhora sentou-se ao meu lado quando eu já estava no fim, mas ela não permaneceu nem um minuto na mesa, levantou-se logo e eu nem liguei. Nem levantei meus olhos a isto. Depois a vi conversando animadamente com outra senhora em outra mesa. Logo agradeci em silêncio, pelas duas senhoras tagarelas não terem se sentado na minha mesa.
Sexta feira friorenta e chuvosa e duas senhoras tagarelas em um almoço solitário, eu prefiro não crer em tal acontecimento. Deus existe e eu sei disso e hoje ele está neste espaço entre o real e o imaginário.
Fim do almoço solitário e me ponho de pé na porta do café, já imagino o café quente, talvez um chocolate logo após e por fim, água muita água. Para diminuir o doce da boca.
Impossível, o café parecia que havia se tornado um pub cheio e barulhento mas no lugar das cervejas, havia café, também não havia uma mesa vazia se quer. Não importa lembrei-me de outro lugar.
Volto à rua, já sem chuva, mas com muito vento e um vira-lata agitado correndo entre as pernas das pessoas passa por mim, acredite, eu fiz menção em assoviar, para o pobre cão. Imagine sexta feira, almoço sozinho, não consigo tomar um café e termino afagando um vira-lata úmido e fedorento que atendeu ao meu assovio. Mas isto também não aconteceu, Deus continua a existir neste pequeno espaço.
Já perto da minha segunda opção, lembrei-me de outra, a livraria, lá tomo o café e aproveito para ver os livros, ela fica em frente ao escritório, é e perfeito. Não tenho pressa, já na entrada comprovo que tanto a livraria quanto o café que há dentro dela não estão cheios, e isso é bom, há até um lugar para sentar-me no mezanino onde posso ver o andar de baixo, os livros, a rua e as pessoas. Café servido, e eu troco o chocolate de depois pelo chantilly de agora. Olho para a rua e vejo meu amigo passar pela calçada, já com seu casaco que ele havia esquecido comigo outra noite e que deixei nas costas da minha cadeira para que ele o pegasse, lá estão ele e seu casaco, andando e fumando na frente da livraria, ele para rapidamente em frente a uma das janelas e depois se vai. Almoçar sozinho como eu, talvez.
O café chegou ao fim, o pago com três moedas, desço as escadas, não sem antes perceber que em cima da minha cabeça há um teto de vidro e que há algo escrito que eu não consigo ler, mas que deve se referir ao lugar e ao tempo onde estes vidros foram feitos. Imagino que eles devem estar ali há muito tempo, suportando um peso enorme de um prédio inteiro em cima do café. Pensamentos Kafikanianos, quantas almas já se jogaram ao chão sob aquele teto de vidro.
Entre os livros reparo que uma repórter que está acompanhada de um rapaz que segura uma câmera e usa um daqueles coletes cheio de bolsos, que só os que pescam e portam câmeras usam, não consigo imaginar tantas coisas para tantos bolsos. Também não consigo imaginar porque eles sempre são da cor cáqui. A repórter entrevista uma moça que estava lendo um livro, sentada em uma enorme poltrona. A moça responde animadamente as questões impostas pela repórter.
Paro em frente a uma estante de livros próximo da repórter e começo a ver algumas cadernetas de anotações que levam nomes de escritores famosos e que custam quase dois almoços solitários. Passo a imaginar que os tais escritores famosos e mortos nem deviam cogitar a hipótese de que um dia seus nomes ocupariam cadernetas de anotações e que elas custariam tão caro, para simples cadernetas.
Reparei que a repórter acabou a sua entrevista e que o câmera desligou o equipamento sentou-se em um banquinho mais perto da janela. Imediatamente largo as cadernetas e começo a andar pela livraria e sei quase que instintivamente que a repórter segue os meus passos discretamente, vou circulando o balcão central da livraria, torcendo para que ela não me alcance, mas não teve jeito, tive de parar em frente à outra estante, pois caso o contrário, voltaria à estante das cadernetas e ai sim seria patético.
Fato:
A repórter chega perto de mim, que falsamente folheio um livro que nem sei do que se trata, nem se quer me diz seu nome e já me explica:
- “Oi, estou fazendo uma reportagem sobre as livrarias, de como elas cresceram, agora já se pode comer, beber, apreciar cafés e vinhos e além de comprar livros, comprar também discos, filmes, presentes e outras coisas mais”
Eu imediatamente concluí: “- Cadernetas !!!”
- Como? A repórter agora confusa me pergunta.
Pateticamente continuo: “- Podemos comprar cadernetas, mas elas são muito caras.”
Para minha sorte ela não ligou para minha infeliz idéia das cadernetas e continuou o discurso que ela já havia aplicado e dado certo em outras pessoas. “Você pode falar comigo, sobre as livrarias?”
-“Prefiro não, respondi. Sou muito tímido”.
-“Prefere não falar!”
-“Prefiro.”
Ela fez um sinal negativo para o cara colete de pescador e ele voltou a sentar-se no banquinho e eu voltei os olhos para o livro, mas ela não saiu da minha frente.
-“Você gosta das livrarias de hoje?”
Como assim, de hoje. Ela usava um par de óculos estreitos e sorria constantemente. Cabelos curtos, rosto fino, microfone para baixo e mão na cintura.
Eu não conheço as livrarias de ontem, mas logo imagino que elas não vendiam cadernetas tão caras. Onde será que antes se compravam as cadernetas de anotações?
-“Gosto…” Eu gosto mesmo de livrarias, com cafés e almoços, com filmes e vinhos, eu simplesmente gosto, se estiverem vazias.
-“Você acha que se pode paquerar alguém em uma livraria?”
Então pensei: “Você está me paquerando?”, e ai está o espaço. Pensei mas não falei e ai que Deus e seu enorme senso de humor resolveu morar nesta sexta feira chuvosa e friorenta.
“-Não.” Eu respondi.
Ela se virou, logo depois de agradecer, eu percebi que o livro que eu folheava era sobre cervejas, grata ironia. Então sai da livraria, não sem antes, lustrar os sapatos na máquina.
” Mas estou por demais alerta para me sentir totalmente feliz. Alerta ante mim mesmo, ante a sorte, ante este único futuro tangível que se chama amanhã, ou seja: desconfiado.”
Mario Benedetti.
MomEnToS SigNIfiCaTivOs e DisTânCIa:.
Dezembro 18, 2008
Momentos significativos e distância.
Vejam bem estas palavras…
Eu acho que é assim que este ano se completa, que assim passamos por cada mês, por cada semana e por cada dia.
Momentos significativos e distância…
Mesmo tendo uma série de momentos significativos que talvez não consigamos se quer entender, como e porque, estes momentos acontecem, ainda assim sem entendê-los tivemos de suportar a distância.
E às vezes a distância se fez presente em nós mesmos, por que é a distância da transformação, distância daquilo que nos faz ser outro para que o mesmo siga a diante.
E isso faz também que nós tenhamos uma série incontável de momentos significativos.
Como se fosse um ciclo. Um após o outro e o outro após um.
Eu estive distante, e mesmo perto, eu sei que estive distante.
Distante da minha essência, porque às vezes isto se faz necessário.
Eu estive distante até mesmo destas linhas, e estou agora, querendo estar, e assim não me envolver e não tornar estas linhas pedaços de mim mesmo. Seria isto possível?
Imaginemos este fim ano como um quarto branco, com uma única cama de lençóis brancos e que ao deitarmos em um silêncio profundo e mesmo com os olhos fechados tudo ainda será branco. Então deitados e de olhos fechados, ouvíssemos uma voz, e esta nos ditasse todos os momentos significativos que tivemos, como se contasse um conto de cada vez, e nos mostrasse que a cada momento significativo que provamos mais distante estamos de algo.
É possível entender que à distância nem sempre esta no tamanho da estrada, que ela não precisa de dois pontos distintos para se mostrar, para se mensurar.
E que o momento significativo, não necessariamente é um momento glorioso, mas de certo é grandioso.
Às vezes não temos o controle, e isso, bom eu acho que isso nos salva.
Vamos sorrir…
Coube em nós este ano, tantos momentos significativos, que covardia e pompa seria descrevê-los, assim como nos traria uma profunda agonia perceber aqui, à distância que se instaurou em nós.
Façamos assim, vamos simplesmente tê-los e ter a consciência que nem sempre saberemos lidar com cada uma destas coisas.
Mas temos de saber lidar com o amigo que aos poucos vai percorrer outras estradas e já não se faz tão presente;
Precisamos entender que às vezes não sabemos como agir, com o que fazer da nossa vida, e que os outros são iguais;
Temos que ser capaz de compreender o abraço;
O sorriso do mais novo;
E a lágrima de quem quer que seja;
Compreender a dor do abandono;
Compreender o amor que simplesmente se foi, ou porque infelizmente não aconteceu;
O amor único, o amor dividido, o amor intenso, o amor que teima em não se completar e o amor completo.
Compreender que às vezes basta olhar para o lado e suspirar;
Que os amigos vão mudar;
Por que temos de compreender a liberdade;
Assim como temos de compreender a indecisão, o vacilo e o erro;
Compreender quando se percebe que em um pequeno momento o som vai sumir e você verá todos os sorrisos que você quer ver e ainda assim um pequeno vazio vai estar no fundo do seu peito.
Eu olhei para trás e tive de baixar os olhos, como um se olhasse um livro que eu não li, mas que desconfio de como termina a história, e para isso eu precisei me distanciar do passado. E tive de compreender isto também.
E isso nos acontecerá mil vezes, é o momento significativo aliado à distância.
Então eu devo agradecer a cada momento significativo que pude provar, mas também agradecerei a distância, que nos faz mudar…
Obrigado.
QUEM MORRE? (Pablo Neruda)
Novembro 13, 2008
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou quem não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca uma vez na vida fugir de conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que não sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda.
(Um belo presente de Raquel Doria)
MuNDos…
Agosto 28, 2008
Já conheci muitos mundos, nesta minha vida.
Estive em tantos mundos, que ao lembrar, às vezes confundo um com os outros, pedaços de um no lugar dos outros, história de um na história de outros.
Entrei porta adentro e vi, que há mundos são quase iguais.
Lá estava eu, perambulando entre estes mundos como se fosse a perfeição. Pois de certo sempre soube que a perfeição estava no fato de eu não ter construído mundo algum.
Ao entrar nestes mundos eu trazia o bem, mas deixava também um mal.
Quando percebia que este mundo não era o meu, o mundo alheio se transformava então em uma prisão.
E sem saber o que fazer naquele mundo desconhecido,
Cantarolando uma musica triste, ia até uma janela, olhava para o céu, e me perguntava.
O que eu estou fazendo aqui?
No fim, uma mochila nas costas era a companhia,
Para trás ficava um desastre.
Um abandono, uma perda, uma dor.
Uma fuga desesperada por simplesmente não saber o que eu e aquele mundo estávamos fazendo, eu com ele, ele comigo.
Os mundos cresciam e eu encolhia,
E encolhendo cada vez mais em mim mesmo,
Percebo que meu mundo não construído cabe entre estas linhas, dentro de uma mochila,
Nos versos de uma triste canção, canção que cantarolo enquanto caminho…
Por agora aqui estou eu,
De punhos fechados,
De olhos cerrados,
Cabeça na lua,
Rosto no chão.
Por agora e eu não sei até quando, aqui estou eu.
Fazendo dos meus passos, pequenos movimentos,
Que não te levarão a lugar algum.
Por agora, suspiros cortados ao meio.
Pois sou eu que trago o escuro,
E nele sei que enxergo melhor.
Por agora, vou ficando.
Por agora, vou cansando,
Vou dando voltas em mim mesmo,
Até que eu possa saber meu sobrenome.
Pois meu nome todos sabem,
E até nos maiores devaneios, eu já estive presente.
Não tenho fórmula,
Métrica ou parâmetros.
Não tenho tempo ou precisão.
Muito prazer, eu sou de casa, e já lhe estendo a mão.
Muito prazer… Solidão…
PrESenTE PrEso:.
Junho 9, 2008
Ele abriu os olhos, umedeceu os lábios e respirou…
Precisou se concentrar para ouvir as lentas batidas do seu coração.
Então decidiu não se levantar.
Mesmo com a grama gelada lhe arrepiando a pele,
Mesmo com a brisa mexendo em seus cabelos,
Mesmo com o céu claro daquele final de dia com raras nuvens, lhe cegando,
No meio daquele imenso campo verde,
Decidiu manter-se deitado.
Mesmo que as bolinhas brancas continuassem a voar de um lado para o outro,
Mesmo tendo que recolhê-las,
Mesmo tendo que contá-las,
Mesmo tendo que guardá-las,
E logo depois esperar o ônibus cheio e demorado,
E mesmo sabendo exatamente à distância da sua rua, até chegar em sua casa,
E sentir o cheiro da refeição habitual.
Preferiu se manter no chão,
Com a respiração branda e cadenciada, cortada por suspiros profundos, que ora acha que não haverá fim,
Com um meio sorriso no canto dos lábios.
Ali ele permanecerá.
Até que o céu se apague por inteiro e as estrelas pipoquem na noite escura, então sonha que cada uma das estrelas ao surgir possa explodir como fogos de artifício multicoloridos.
Pensou que ao ficar ali deitado, não descobrirá a solução definitiva, mas de certo, é um bom momento.
Um bom momento para simplesmente ficar invisível, alheio ao mundo e suas constantes.
Ali com o som da brisa misturado ao som dos seus suspiros, ele vai ver o mundo mudar. Mesmo sabendo que o seu mundo, aquele que o cerca por todos os lados, que o acompanha, que o define, que o sufoca, não seja se quer arranhado, mesmo assim, ele vai ver o mundo mudar.
O dia vai virar noite, a brisa talvez vento forte, o sol deixará a lua brilhar, as bolas brancas vão cessar, o ônibus vai passar, o sorriso vai abrandar, os olhos vão se fechar e os suspiros,
Bom, os suspiros são teimosos…


