Descobri que te amo,
Descobri novamente que te amo,
Não foi quando os nossos olhos estavam tão próximos,
Que nos obrigamos a fechá-los para que assim fechados,
Nossas almas fossem impedidas de se fundirem.
Também sei que não descobri, quando percebi a nossa respiração,
Alinhada e compassada, se restringia,
A nos indicar o caminho do próximo suspiro.
Não foi quando adormeci acariciando seus cabelos,
Nem ao lhe beijar antes de partir.
Descobri que te amo, na sua ausência.
Na solidão da rua cheia,
No frio sólido da casa vazia.
Amo-te no perfume deixado no travesseiro,
No simples apego do levantar dos teus olhos,
E no cantarolar a música entranhada.
Eu te amo na tua falta,
E mesmo no zelo,
Te amo no meu olhar para a cadeira vazia, no almoço sem sentido.
Na falta de conversa com o estranho a minha frente na fila indigna.
Te amo no meu piedoso olhar para a lua, que na fria noite de inverno,
Insiste em me fazer entender, que o teu silêncio,
É a minha contemplação.
Te amo na manhã de sol,
Mesmo que tu não sejas alheia a ele.
Te amo quando meus dedos correm a tua pele clara,
E como o poeta colombiano, eu sonho com poesias tatuadas em tuas costas, entre rosas e girassóis.
E quando inebriadas frases em francês,
Encantam meus ouvidos,
Como gemidos, que influenciam meus movimentos,
e de gesto em gesto, nestas mal traçadas,
Ponho-me a confessar, o amor que me redime.

Anúncios