Category: Aos Meus…


Hoje, isto aqui, se acaba! Porque tudo um dia tem que acabar.
Mesmo se for farsa, mesmo se for real ou sonho, não importa.
O que importa, é que tudo terá o seu fim.
Os finais são por vezes provocados, outros são casuais, são planejados, espontâneos e são todos sentidos.
São como quase tudo, metafísica.
E por falar em metafísica, o último texto é do Fernando Pessoa, se chama Tabacaria e foi escrito em 1928. Com certeza o maior texto já publicado aqui.
Aqueles que se permitirem ler até o seu final, perceberão a sua beleza.
Os que não, não lamentem, pois tudo tem seu fim, mesmo que o fim, aconteça no meio.
Agradecido,
Gualter Lemos:.

TABACARIA (15-1-1928 )
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno – não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra ,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.

In Pessoa, F. (1981): Obra Poética, Rio de Janeiro: Ed. Aguilar.

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Eu poderia aos meus amigos, hoje, lhes dar uma poesia. Mas isto seria quase óbvio!
Resolvi dar aos meus amigos, uma poesia, para os amores dos meus amigos.
Então, aos amores dos meus amigos.

Amor de Tarde. (Mario Benedetti).

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são quatro
e termino a planilha e penso dez minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e faço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente
e dizer “e aí?” e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono.

(SIC):.

Cursor negro piscando em cima de um quadro branco na tela do meu monitor no computador em cima da mesa. SIC, SIC, SIC, SIC…

Coração quase pausado, batidas lentas no meio do meu peito, som abafado, quase que quieto, descompensado, arrastado, tímido, imperfeito. SIC,SIC,SIC,SIC…

Mão procurando a outra, dente procurando unha, mãos esfregando palma com palma, meu dedo torcendo outro dedo até ouvir o som estampido. SIC,SIC,SIC,SIC…

Pálpebras que durante o meu sono são inquietas, semi abertas, semi cerradas. Agoniadas com o movimento dos olhos encantados nos sonhos da escrita, de um lado para o outro, atiçam as pálpebras em um movimento contínuo. SIC,SIC, SIC,SIC…

Suor meu que escorre da testa, do pescoço ao peito e no meio das mãos, perceptível, infalível, silencioso, fraco, pois se seca com brisa, resistente, pois volta à tona no minuto seguinte, tangível a cada gota. SIC,SIC,SIC,SIC…

Ideias, incessantes, incomparáveis, como correntes, elo que puxa elo, espaço para ter espaço, para que a ideia se propague como fumaça bem na frente dos meus olhos, envolventes, incansáveis, pertinentes, inacreditáveis. Nossas ideias que hão ecoar. SIC,SIC,SIC,SIC…

FiZEstE AnOS:.

Fizeste anos, Paulo, e

No dia, do almoço
Não cheguei a saber
Nem recebi prato

À noite, outra voz
Disse que talvez
Depois que estiver

Quando ele voltar.

Fizeste anos, Paulo, e

Por onde é que passas
Teu tempo fugido
(fugindo de nós)

Cozinhando os meses
Pontilhando os is
Recosendo nós

Imerso em botões?

Fizeste anos, Paulo, e

O amor cá esteve
E deu-nos estradas
Evitamos todas

Se tivesse placa
Soubéssemos ler
Vai, quem sabe,

Eu sei, nem assim.

Fizeste anos, Paulo, e

Os meninos crescem
Um andou doente
Outro corre solto

Perfeitos titãs
Tão lindo que é vê-los
Tão fortes que são

Sinto a falta deles.

Fizeste anos, Paulo, e

Deus nos disse olá
Noutro dia, lembras
À mesa, enfastiados?

Era aviso, acho,
Do que é nossa parte
Do que carregamos

Sempre o mesmo aviso.

Fizeste anos, Paulo, e

Já faz dias desde
Talvez nem dê mais
Talvez já não sirvam

Votos de alegria
De bondade infinda
Em teu aniversário

Validade finda.

Já não cremos tanto?

Então o quê, ainda,
Se nos passa a vida
E estamos contrários?

Mais em todos os dias(?)

Eu pergunto (te ofereço), Paulo

Escrito pelo Amigo Douglas Pedra ao Amigo Paulo Roffe, a mim coube, com prazer transpor aqui.

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Quando a loira entrou no bar, nós que já estávamos de saída, tivemos vontade de ficar.
O tal bar não estava acostumado a tal beleza,
E tal beleza não estava acostumada a  tal bar…
Bem vestida, salto alto,
Parou em frente a uma mesa, abriu os braços e sorriu.
O Russo, nosso garçom, levantou os olhos, largou no balcão uma garrafa de cerveja e o abridor e acelerou o passo em direção a moça.
E do nada um abraço surgiu…
O tempo parou, o bar se fez em silêncio, nem os titilares dos copos se ouvia…
A cena era:
A loira e o garçom abraçados  no meio do bar,
Nós continuávamos estáticos, olhos arregalados, respiração suspensa,
E a trilha sonora da cena? Bom a trilha sonora era uma exclamação:
 “ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉGUAAAA RRRUUUUUUUSSSSSOOO !!! “ 

Neste outro post “Aos Meus”, como de costume com  atraso,  segue uma das muitas cenas que este cara hilário, não nos cansa de brindar. Além de cenas hilárias em uma das terças insanas Eduardo surge com este belo poema de W. H. Auden, e nos brinda, desta vez com poesia… 

Funeral Blues. 

Parem os relógios
Cortem o telefone
Impeçam o cão de latir
Silenciem os pianos e com um toque de tambor tragam o caixão
Venham os pranteadores
Voem em círculos os aviões escrevendo no céu a mensagem:“Ela está morta!”

Ponham laços nos pescoços brancos das pombas
Usem os policiais luvas pretas de algodão 

Ela era meu norte, meu sul, meu leste e oeste.
Minha semana de trabalho e meu domingo
Meu meio-dia, minha meia-noite.
Minha conversa, minha canção.

Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me.
As estrelas são indesejadas agora.
Dispensem todas.

Embrulhem a lua e desmantelem o sol
Despejem o oceano e varram o bosque  

Pois nada mais agora pode me servir…

 

Aos Meus… Pedro Jaccoud…

dropex.jpg 

E mais um post “Aos Meus”, segue, sei que atrasado, mais isto vai acontecer até a inspiração me for eterna e de mim saia pelos poros frazeados inteiros.
Foi muito difícil achar um texto ou uma poesia que lhe caiba.

A esperteza me falta.

A inspiração não supre.

Ficou pequena a palavra.

Dos Meus, tu és um dos grandes. E se o tempo passa que passe então por cima dos meus ombros, que ao lado dos teus, formem uma muralha e nos proteja das coisas da vida.
De ti que pude ver, lágrimas de menino e sorriso sincero, fico com o aperto de mão, forte como de costume, e implicâncias de irmão mais novo, que não cessa.
Segue um texto do Zuenir Ventura que conta uma história a dois meninos, que aconteceu com ele e com o Vinicius de Moraes, e se acontecesse comigo acho que o teu nome é que eu gritaria.

“ME AJUDA PEDRINHO…” 

“Distantes do grupo, nós dois estávamos sentados em bancos altos tomando uísque no balcão do bar, quando se deu o incidente. De costas para a cena, ouvi primeiro um estalo seco, quase metálico; depois, os gritos femininos: “sua p…, p… é você”. Antes de me virar, vi a cara de susto do poeta e seu apelo: “me ajuda, Zuenirzinho”. A sua capacidade de reduzir tudo a um diminutivo era tanta que até em meu nome, que não se presta a esse acréscimo carinhoso, ele conseguia botar um zinho. Virei-me rápido, saí correndo atrás dele, mas ao chegarmos à roda que então se formara, as duas damas já tinham sido devidamente apartadas e estavam contidas pela turma do deixa-disso. Soubemos então o que acontecera: num ímpeto de ciúme, a mulher do poeta agredira com um estridente tapa uma outra jovem brasileira que fora conosco ao cassino. Quando voltamos para os nossos banquinhos, devo ter olhado com suspeita para Vinicius, porque sua reação foi imediata: “não olha assim pra mim não, Zuenirzinho, dessa vez eu estou inocente!”.

Bendito vagabundo
Zuenir Ventura
No Mínimo . 02/12/2003

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E para inaugurar Aos Meus, segue o post para um novo amigo Rodrigo Mendes, que vive a declarar que vai embora para Pasárgada. Pode ser que  um dia, faremos as malas e partiremos numa noite de uma terça qualquer para boêmia de uma Pasárgada, beber um pouco e divagar sobras as coisas da vida.

Ai esta de Manuel Bandeira, Vou-me embora para Pasárgada.

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro “Bandeira a Vida Inteira“, Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

Eu estive pensando, em como presentear alguns amigos em seu aniversário.
Como não cair na mesmice, e presentear com coisas que não tenho idéia, e depois me preocupar se vou agrada-los ou não.
Então resolvi criar isto, um post em cada aniversário, com algo que eu sei que possa agradar.

Por que dos meus eu vejo a essência e é dela que irei tirar as palavras.
Eu tenho a certeza de que não vai acontecer sempre e que eu falharei, mas no fundo são palavras que eu tentarei por no DeTOnT3RiA que faça valer a pena.

Então Aos Meus… Acabo de criar o post Aos Meus…