Fizeste anos, Paulo, e

No dia, do almoço
Não cheguei a saber
Nem recebi prato

À noite, outra voz
Disse que talvez
Depois que estiver

Quando ele voltar.

Fizeste anos, Paulo, e

Por onde é que passas
Teu tempo fugido
(fugindo de nós)

Cozinhando os meses
Pontilhando os is
Recosendo nós

Imerso em botões?

Fizeste anos, Paulo, e

O amor cá esteve
E deu-nos estradas
Evitamos todas

Se tivesse placa
Soubéssemos ler
Vai, quem sabe,

Eu sei, nem assim.

Fizeste anos, Paulo, e

Os meninos crescem
Um andou doente
Outro corre solto

Perfeitos titãs
Tão lindo que é vê-los
Tão fortes que são

Sinto a falta deles.

Fizeste anos, Paulo, e

Deus nos disse olá
Noutro dia, lembras
À mesa, enfastiados?

Era aviso, acho,
Do que é nossa parte
Do que carregamos

Sempre o mesmo aviso.

Fizeste anos, Paulo, e

Já faz dias desde
Talvez nem dê mais
Talvez já não sirvam

Votos de alegria
De bondade infinda
Em teu aniversário

Validade finda.

Já não cremos tanto?

Então o quê, ainda,
Se nos passa a vida
E estamos contrários?

Mais em todos os dias(?)

Eu pergunto (te ofereço), Paulo

Escrito pelo Amigo Douglas Pedra ao Amigo Paulo Roffe, a mim coube, com prazer transpor aqui.

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