Hoje pela manhã recebi por email, um vídeo, que começava com um símbolo, que era um fuzil, um dedo indicador apontado para cima como o fuzil e uma bandeira hasteada em uma lança, todos acima de um livro aberto, que na verdade é o Corão, e a frente do globo, com letras árabes ao fundo, com um hino cantado por varias vozes masculinas, mas vozes não eram de tom grave.

O hino continua e o vídeo passa a mostrar fotos de um rapaz ao lado de soldados americanos posando entre os tanques de guerra, as fotos somem e o mesmo rapaz aparece de joelhos vestido com uma roupa laranja, mãos amarradas para trás e olhos vendados. Atrás deste rapaz cinco homens de pé, rígidos, estáticos, três deles seguram fuzis kalashnikovs, “herdados” da antiga União Soviética), outro de braços cruzados com uma enorme faca embainhada em seu colete e presa junto ao seu peito, e o último homem lê uma carta, que é longa, mas ele a lê rápido, como não há legendas, não entendo o que ele diz, mas imagino que ele diga coisas sobre o ocidente e seus supostos “demônios”, mal sabe ele que o maior demônio que enfrentamos há milênios, é a nossa própria ganância, e ai não importa de que lado do mundo você está, ganância é ganância e ponto, só nos falta admitir que é ela que nos destrói. Subitamente na última frase, como se aquela frase final soasse um alarme, o homem de braços cruzados saca a faca e parte para o pescoço do rapaz de joelhos, e o degola, na frente dos meus olhos mareados, incrédulos e eu tive a minha respiração cortada ao meio e assim fiquei até escrever nestas linhas.

Já ouvimos falar de civis de várias nações seqüestrados ou mortos no Iraque, mas hoje eu vi um vídeo completo com a morte de um rapaz, e eu, que nem assisto filme de terror por não gostar de ter sensações desagradáveis, sustos, medos e etc… Senti uma das sensações mais desagradáveis da minha vida.

E esta sensação não foi ver a morte daquele rapaz somente e sim de ter sentido e provado que eu, você e qualquer outro somos iguais, então esta sensação de ser igual que me entristece, ser igual àqueles homens de pé que executaram aquele jovem, mas também igual ao rapaz de joelhos preste a ser degolado, somos da mesma raça, eu me senti mal por ser humano, homem, racional.

Precisei ver a morte de um homem que eu nunca vi, que nunca tive qualquer tipo de contato para me sentir infeliz por ser homem, por ser igual a aqueles que o mataram e que vivem eternamente em guerra e que embora sendo iguais a eles, eu não entendo o que os move, eu não entendo Allah e nem o Corão, assim como não entendo, mas que também sou igual, o rapaz americano, que se não me engano era jornalista ou soldado enfim não importa, não entendo o porque desta guerra e o que faz esta e outras guerras virarem noticias em todo o mundo, como se fosse algo cotidiano, como a previsão do tempo por exemplo, e como somos ávidos por estas notícias.

Não entendo os americanos e seus líderes, que saem de sua terra e como se estivesse em seu DNA, e lutam longe de casa. Não entendo a ditadura Iraquiana e o massacre aos Curdos, não entendo o porquê da luta dos Israelenses e suas necessidades, não entendo a faixa de Gaza, nem o Talibã, a Al Kaeda e o Pentágono, não entendo a ONU nem a Kashimira, não entendo a Rússia e nem a Colômbia, não entendo as Etnias Africanas, não entendo a OLP e nem o Comando Vermelho e o PCC.

Entendo que sou igual a cada um destes homens que saem de suas casas e lutam e matam, e às vezes dizem que mataram para proteger suas próprias casas, seus ideais, suas fronteiras e terras, suas religiões e seus negócios.

Agora eu acredito que nós lutamos todas estas guerras, declaradas ou não, por que nós nos classificamos diferentes.

Hoje somos ricos e pobres, brancos e pretos, orientais e ocidentais, palestinos, judeus, católicos, protestantes, budistas, evangélicos, ateus ou cépticos, nós lutamos porque nós esquecemos que somos iguais. Mas pensando bem acho que nós não esquecemos isto agora ou recentemente, pois desde que o mundo é mundo, vivemos em guerra e somos classificados, então chego à seguinte conclusão.

Nunca sequer imaginamos que poderíamos ser iguais, na verdade nunca pensamos nisto. E para remediar esta nossa falha, inventamos uma palavra.

UTOPIA.

Ufa!!!

Estamos salvos…

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