Ei, Senhores !!!
Senhores do tempo.
Eu lhes peço por favor, vejam este cadeado, este aqui, preso em meu pé, que me prende a esta corrente.
Este que me deixa preso no tempo, que não me permite o movimento.
Que me invalida a alma, que me faz andar em círculos, preso neste lugar com pouca luz.
Aqui enxergo pouco.
Estou limitado,
Repetitivo e agoniado.
Ei, Senhores !!!
Escutem-me, eu quase lhes suplico, tenham fé no movimento das minhas palavras, elas nos levarão há um lugar maior e mais claro.
Entendam, aqui só o que é raro surge. Eu preciso do mundo girando ao meu lado e não do peso dele em minhas costas, curvando-me.
Só não me perguntem onde está a chave, eu nem sabia que eu a possuía, e se a possuía, eu a perdi.
Já perdi tanta coisa, que nem consigo fazer uma lista.
E uma lista de coisas perdidas agora seria de uma inutilidade e de uma crueldade abissal.
Eu sei, eu pus as correntes eu fechei o cadeado e até posso ter perdido a chave, mas aqui não posso mais ficar.
Daqui nada se cria, nem se copia, daqui não se suspira, não se sente, não se arrepende, não se incomoda, não se avalia.
Não há valor nestas paredes, neste aço, neste vácuo.
Tanto faz olhar para a direita ou para trás, se aqui só posso olhar para dentro.
Ahhh Senhores, cansa olhar para dentro, porque o que há dentro se parece com o que há fora.
Pois aqui tudo tem a cor e a forma da INÉRCIA…

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