Nestes últimos meses andei lendo as histórias de um senhor uruguaio chamado Mario Benedetti, que em forma de diário me contava sobre um amor que de certa forma nem eu e nem ele sabemos como começou, e nem por que. Mas quem sabe?

Este amor que se pensava vir em um tempo errado, veio no certo, e de certo me entristeceu, mas amor é assim mesmo, tanto alegra quanto entristece. E este senhor me ensinou a entender como se escreve sobre uma mulher, mas sobre isso falo outro dia. E já nem eu nem ele sabemos como chegamos nas mãos um do outro, mas agradeço, como um aluno.

E triste está outro senhor Canadense chamado David Gilmor que anda preocupado com fato de ter apoiado seu filho a abandonar a escola, e em troca o filho teria de passar a assistir com ele três filmes por semana. Eu ainda não sei se isso vai ter o resultado que ele espera, eu sou lento em minhas leituras, eu as prefiro assim, mas o que importa é que o pai pensa que seu filho pode vir a ser um fracassado, mas um fracassado que sabe tudo de cinema. O que o Sr. Gilmor não sabe que se antes de conhecê-lo eu já gostava do cinema, hoje eu gosto mais. Falta bem pouco para o fim desta história que também é de amor (sempre ele), me mostre o poder de um pai na vida de um filho.

Logo depois terei pela frente as histórias de um inglês e um de irlandês, escolhidos ao acaso, pois para ler um me disseram que eu precisava abandonar a minha família e amigos; largar meu trabalho e meus compromissos; deixar meu jantar queimar no forno e me afundar na letra, pois a vida tem gosto de plástico ao lado das palavras de Simon Van Boot. Para ler o outro me foi dito que nenhuma descrição deste poderia fazer-lhe justiça, pois irá me oferecer uma perspectiva poderosa e humilde da nossa vida do jeito que ela é, e este se chama Gerad Donavan.  Um virá com contos outro com romance, um que fala sobre o amor (olha ele ai de novo) e o outro sobre as pessoas, sobre as conversas entre dois homens, sobre uma vila européia em plena guerra civil, sobre a neve, sobre conflitos, reações humanas e morte eminente. (será que tem amor?)

Para que escrevo isso?

Escrevo porque serão estes dois as minhas companhias enquanto tomo café pela manhã, no ônibus antes de dormir (na maioria das vezes eu durmo nos ônibus), em pé no metrô, são eles que farão peso na mochila que eu levo nas costas, vão se molhar com a chuva, se amassar com a rapidez da vida, são eles que irão guardar com carinho a foto dela, foto que me ajuda a achar o fio do pensamento, são estes dois senhores que irão palpitar o rumo destas letras, por enquanto…

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