Mesmo que eu,
Mesmo que ele.
Com o ouro nas mãos,
Mesmo que Eles, e suas bossas, me viessem com novas,
Cantarolando em meus ouvidos.
Coisa do outro mundo…
Mesmo que a água faltasse,
E a minha boca deixasse seca,
Mesmo que o mar secasse,
Deixando tristes os meus versos,
E o sol avermellhasse, mais do que hoje,
Fazendo cegos, os meus olhos.
Ainda assim meus olhos veriam coisa mais bela.
Mesmo que aquela estrela rabiscada por mãos firmes, não tenha lugar na boemia,
Na noite escura,
Eu teria em minhas mãos…
As mesmas que derretem o gelo do ouro.
Eu teria a certeza,
Que assim seriamos capazes,
De perceber, que resta apenas,
Um brinde na noite escura,
Um momento, suprimido,
No tilintar dos copos,
Um suspiro, que faz sonhos,
Como aqueles com a vista da Lagoa na noite abafada,
Mas no emaranhar das vozes,
“Água de beber… Água de beber… Camará…”
Eu nunca fiz coisa tão certa.

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