Ele abriu os olhos, umedeceu os lábios e respirou…
Precisou se concentrar para ouvir as lentas batidas do seu coração.
Então decidiu não se levantar.
Mesmo com a grama gelada lhe arrepiando a pele,
Mesmo com a brisa mexendo em seus cabelos,
Mesmo com o céu claro daquele final de dia com raras nuvens, lhe cegando,
No meio daquele imenso campo verde,
Decidiu manter-se deitado.
Mesmo que as bolinhas brancas continuassem a voar de um lado para o outro,
Mesmo tendo que recolhê-las,
Mesmo tendo que contá-las,
Mesmo tendo que guardá-las,
E logo depois esperar o ônibus cheio e demorado,
E mesmo sabendo exatamente à distância da sua rua, até chegar em sua casa,
E sentir o cheiro da refeição habitual.
Preferiu se manter no chão,
Com a respiração branda e cadenciada, cortada por suspiros profundos,  que ora acha que não haverá fim,
Com um meio sorriso no canto dos lábios.
Ali ele permanecerá.
Até que o céu se apague por inteiro e as estrelas pipoquem na noite escura, então sonha que cada uma das estrelas ao surgir possa explodir como fogos de artifício multicoloridos.
Pensou que ao ficar ali deitado, não descobrirá a solução definitiva, mas de certo, é um bom momento.
Um bom momento para simplesmente ficar invisível, alheio ao mundo e suas constantes.
Ali com o som da brisa misturado ao som dos seus suspiros, ele vai ver o mundo mudar. Mesmo sabendo que o seu mundo, aquele que o cerca por todos os lados, que o acompanha, que o define, que o sufoca, não seja se quer arranhado, mesmo assim, ele vai ver o mundo mudar.
O dia vai virar noite, a brisa talvez vento forte, o sol deixará a lua brilhar, as bolas brancas vão cessar, o ônibus vai passar, o sorriso vai abrandar, os olhos vão se fechar e os suspiros,
Bom, os suspiros são teimosos…