Cursor negro piscando em cima de um quadro branco na tela do meu monitor no computador em cima da mesa. SIC, SIC, SIC, SIC…

Coração quase pausado, batidas lentas no meio do meu peito, som abafado, quase que quieto, descompensado, arrastado, tímido, imperfeito. SIC,SIC,SIC,SIC…

Mão procurando a outra, dente procurando unha, mãos esfregando palma com palma, meu dedo torcendo outro dedo até ouvir o som estampido. SIC,SIC,SIC,SIC…

Pálpebras que durante o meu sono são inquietas, semi abertas, semi cerradas. Agoniadas com o movimento dos olhos encantados nos sonhos da escrita, de um lado para o outro, atiçam as pálpebras em um movimento contínuo. SIC,SIC, SIC,SIC…

Suor meu que escorre da testa, do pescoço ao peito e no meio das mãos, perceptível, infalível, silencioso, fraco, pois se seca com brisa, resistente, pois volta à tona no minuto seguinte, tangível a cada gota. SIC,SIC,SIC,SIC…

Ideias, incessantes, incomparáveis, como correntes, elo que puxa elo, espaço para ter espaço, para que a ideia se propague como fumaça bem na frente dos meus olhos, envolventes, incansáveis, pertinentes, inacreditáveis. Nossas ideias que hão ecoar. SIC,SIC,SIC,SIC…

Anúncios