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Perguntaram-me sobre a agonia.

Para mim a agonia é nó no peito, não é nó na garganta, nó na garganta a gente desata com grito, com briga e desabafo. Nó no peito não se desata, nem se enterrando embaixo dos cobertores, nem se esquecendo de por meias da mesma cor, não se desata com brinde, nem com caminhada na rua, que mesmo cheia de gente, automóveis e movimentos, lhe parecerá vazia.

Agonia para o tempo, corta a respiração ao meio, tira o gosto da boca e encanta os olhos, e os olhos encantados ou se perdem no horizonte ou só olham para dentro.

Agonia amansa os sentidos, pende o pescoço para baixo e um pouco para o lado, a agonia é sozinha, é independente, não necessita de outro sentimento para que ela prevaleça. Dá frio nas mãos e suor na testa. Seca a saliva e agita os pés. È a mistura entre o lento e o acelerado, e o compasso desordenado do coração, é a turves da visão.

Agonia, é espaço indefinido, é momento inacabado, é sonho descumprido e tem som abafado, é pedido que não se pede e nem é aceito, é solidão que não cede, já disse, é nó no peito.

Mas agonia se cura.

Agonia se cura com gargalhada de criança, com braço de amigo por cima do ombro, com mão de mãe no seu rosto, com olhar de cachorro querendo lhe entender. Agonia cura com banho de mar revolto, com vento de ventania no cabelo e  com sorriso próprio. Pois a agonia não suporta que o agoniado sorria para ela.